O cantor e compositor Osni Ribeiro, também Secretário de Cultura de Botucatu, participa neste dia 10 de março da “Conferência Recital”, evento que vai discutir a viola caipira na música brasileira, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina, a partir das 17 horas.
Osni Ribeiro dedica-se ao estudo da viola caipira há mais de 30 anos. Ele conta que na “Conferencia Recital”, vai expor a origem da viola e sua adoção no Brasil. “Hoje a viola é um dos instrumentos mais identificados com a cultura brasileira, embora seja de origem portuguesa”.
Paulo Freire, um dos mais conhecidos violeiros do Brasil em um de seus shows “A peleja de São Gonçalo e a peleja com as Prostitutas”, conta que para se garantir a formação de um bom violeiro, o tocador tem de fazer pacto com o “Coisa Ruim” (diabo), caçar uma cascavel, dominá-la e depois de executar a serpente, têm de colocar o guizo da “danada” dentro da viola. São Gonçalo do Amarante é o santo dos violeiros.
Osni Ribeiro, que vive próximo às barreiras do ribeirão Lavapés, há 46 anos, disse ao Diário que não precisou sacrificar nenhuma cascavel, quanto menos fazer pacto com o “Coisa Ruim”. “Tem de ter muita identificação com o instrumento. É como um guitarrista virtuoso, que tem identificação com a guitarra e passa horas estudando. Ao menos esse foi o meu caso”, completa o cantor.
Osni tem dois CDs lançados ao longo dos tempos e trabalhou em vários outros, sendo o último, em parceria com Sérgio Santa Rosa, outro estudioso do tema do universo rural. “O Osni é um músico eclético, conhece viola muito bem, optou pela música regional, mas também tem excelentes trabalhos na musica popular e samba”, afirma o autor do livro-CD “Cururu: Tradição e Poesia Caipira, com depoimentos de Horácio e Jonatas Neto”.